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Rildo Hora abre nova temporada de depoimentos para acervo de história oral do Museu do Samba

Aug 31
3 min read
Rildo Hora com Nilcemar Nogueira (Divulgação)
Rildo Hora com Nilcemar Nogueira (Divulgação)

Detentor de um acervo com mais de 50 mil itens e do maior centro de documentação do país especializado em samba, o Museu do Samba inicia, no mês de setembro, uma nova temporada de gravações de depoimentos de grandes nomes da história do gênero. Registrados em vídeo, os relatos integram o projeto “Memória das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro”, que desde 2009 é realizado pelo museu e que já produziu um acervo original – e inédito - com quase 200 personagens marcantes da cultura do samba As gravações acontecem nos dias 10, 17 de setembro e 1º de outubro, na sede do Museu do Samba, na rua Visconde de Niterói nº 1296, na Mangueira. A iniciativa conta com apoio do Ibram – Instituto Brasileiro de Museus.

 

A estreia da nova temporada de depoimentos, em 10 de setembro, contará com gravações do maestro, arranjador e gaitista Rildo Hora e do intérprete da União de Maricá, Zé Paulo Sierra. Estão previstos ainda registros com Moacyr Luz, Dudu Nobre, entre outros. Em maio deste ano, gravaram para o projeto as seguintes personalidades: Nilo Sérgio (mestre de bateria), Eryck Quirino (Samba da Volta), Paulo Ramos (estação Primeira de Mangueira), Tia Débora (Beija-Flor), Pedrinho Naval (Grande Rio).

 

– A história oral é uma fonte documental poderosa e legítima, principalmente quando dá voz a pessoas historicamente silenciadas, como são muitos dos artistas deste que é o gênero mais identitário do Brasil; aqui no Museu do Samba, os protagonistas são os sambistas, que contam memórias e histórias por um ângulo e um ‘modo de dizer’ que não chegam a livros e páginas de jornais, mas que, na prática, é o que perpetua o samba e as múltiplas práticas culturais nele contidas”, afirma Nilcemar Nogueira, fundadora do Museu do Samba e neta do compositor Cartola e de Dona Zica da Mangueira.

 

As entrevistas do projeto são feitas por pesquisadores do museu e jornalistas colaboradores, documentando relatos de intérpretes, compositores, mestres de bateria, porta-bandeiras, mestres-salas, passistas, carnavalescos, fundadores de agremiações carnavalescas e rodas de samba. O acervo guarda preciosas gravações de nomes como Alcione, Dona Ivone Lara, Nelson Sargento, Monarco, Tia Surica, Haroldo Costa, Mestre Ciça, Neguinho da Beija-Flor, do lendário mestre-sala Delegado e das porta-bandeiras Selminha Sorriso, Dodô da Portela e Vilma Nascimento. O material está disponível para consulta e pesquisa, mediante agendamento pelo e-mail contato@museudosamba.org.br.

 

Rildo Hora e Zé Paulo Sierra doaram peças para o acervo -  Celebrado como “arquiteto da sonoridade do samba contemporâneo”, Rildo Hora, 87 anos, é “a marca” por trás de arranjos e produções musicais de obras antológicas de Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, João Bosco, Clara Nunes, Luiz Gonzaga, Dona Ivone Lara e Dudu Nobre, entre outros grandes artistas brasileiros. Vencedor de quatro Grammy latinos, o maestro doou, em julho deste ano, partituras, documentos e premiações de seu acervo pessoal para a coleção do Museu do Samba.

 

Zé Paulo Sierra, 50 anos, tem se consagrado como uma das vozes e personalidades mais marcantes da Marquês de Sapucaí. Além de interpretações antológicas em agremiações como Mangueira, Viradouro, Mocidade Independente de Padre Miguel e Portela, Zé Paulo se destacada pela produção diferenciada de seus figurinos de desfile. O cantor trocou o tradicional paletó, usado pela maioria dos intérpretes nos desfiles, por fantasias como as do enredo “O Alabê de Jerusalém: a Saga de Ogundana”, em 2016, quando suas vestes lembravam a de São João Batista, e o visual tropical com cabeça raspada e pintada no enredo sobre o caju, na Mocidade, em 2024. O figurino foi um dos itens doados pelo cantor para a coleção do Museu do Samba, entre outras peças de seu acervo particular.

 

– Muitos sambistas doam peças importantes de sua trajetória, pois sabem que aqui temos espaço e equipamentos adequados para guarda e conservação de documentos, objetos e até mesmo fantasias, que são acondicionados em nossa reserva técnica para futuras exposições ou para pesquisas; nosso acervo conta com itens de ícones como Alcione, Leci Brandão, Wilson das Neves, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Arlindo Cruz e do meu avô Cartola, entre tantos outros – conta Nilcemar Nogueira.

 

 

 
 
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