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Rildo Hora e Zé Paulo Zierra gravam depoimentos para acervo oral

Sep 10
2 min read

Nilcemar Nogueira e Rildo Hora
Nilcemar Nogueira e Rildo Hora

Detentor de um acervo com mais de 50 mil itens e do maior centro de documentação do país especializado em samba, o Museu do Samba deu início nesta quinta-feira, 10 de setembro, a uma nova temporada de gravações de depoimentos de grandes nomes da história do gênero. O maestro, arranjador e gaitista Rildo Hora e o intérprete da União de Maricá, Zé Paulo Sierra, foram os primeiros entrevistados, revelando histórias e curiosidades sobre suas bem-sucedidas carreiras para o projeto “Memória das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro”.


A iniciativa conta com apoio do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com gravações realizadas na sede do Museu do Samba, na rua Visconde de Niterói nº 1296, na Mangueira, na Zona Norte do Rio de Janeiro.



O arranjo de “As rosas não falam” e vozes femininas no carro de som dos desfiles

 

Os depoimentos registrados pelo Museu do Samba costumam revelar informações desconhecidas dos bastidores do samba e do carnaval, contadas pelas vozes e pontos de vistas de seus protagonistas. Nas entrevistas de Rildo Hora e Zé Paulo Sierra, não foi diferente. Celebrado como “arquiteto da sonoridade do samba contemporâneo”, Rildo Hora, 87 anos, é “a marca” por trás de arranjos e produções musicais antológicas de Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, João Bosco, Clara Nunes, Luiz Gonzaga, Dona Ivone Lara e Dudu Nobre, entre outros grandes artistas brasileiros. Na tarde de relatos memorialísticos no Museu do samba, Rildo abordou particularidades do primeiro arranjo comercial feito para “As rosas não falam”, obra do compositor Cartola gravado por Beth Carvalho em 1976, no álbum “Mundo Melhor”  (gravadora RCA Victor).


“Foi um depoimento muito especial, em que me dei conta de que me tornei a guardiã do acervo de um grande mestre, um grande maestro que eu admirava desde menina, quando via o Rildo frequentando a casa e trabalhando com meu avô Cartola e com outros intérpretes que gravaram suas músicas”, conta Nilcemar Nogueira.

 

Zé Paulo Sierra, da União de Maricá
Zé Paulo Sierra, da União de Maricá

Atual intérprete da União de Maricá, agremiação que estreia em 2027 no Grupo Especial dos desfiles do Rio de Janeiro, Zé Paulo Sierra destacou em seu depoimento a importância da presença de vozes femininas de apoio no carro de som. Segundo o artista, o canto feminino contribui para uma melhor harmonia e para o canto da própria escola de samba nos desfiles, uma vez que as mulheres constituem o maior número entre os desfilantes.


Aos 50 anos, Zé Paulo tem se consagrado como uma das vozes e personalidades mais marcantes da Marquês de Sapucaí. Além de interpretações antológicas em agremiações como Mangueira, Viradouro, Mocidade Independente de Padre Miguel e Portela, o cantor se destacada pela produção diferenciada de seus figurinos de desfile. Nos últimos dez anos, ele trocou o tradicional paletó, usado pela maioria dos intérpretes nos desfiles, por fantasias.

 


 
 
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