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Museu do Samba celebra 25 anos com show no Theatro Municipal do Rio e documentário

  • 5 days ago
  • 4 min read

Nascido aos pés do Morro da Mangueira, o Museu do Samba celebra aniversário de um quarto de século com uma “noite de gala” no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Com patrocínio da Vale, por meio da Lei Rouanet, a comemoração acontece no dia 5 de agosto, às 20h, com o show “25 anos do Museu do Samba”, que vai reunir Alcione, Dudu Nobre, Diogo Nogueira, Teresa Cristina, Karinah, Sandra de Sá, Arlindinho, Mumuzinho, Ivo Meirelles, Matriarcas do Samba e Velha Guarda da Portela. Como parte da celebração, também será lançado um curta-metragem documental que registra raridades do acervo, depoimentos de personalidades do samba, além de abordar conquistas e desafios do museu fundado em 2021 pelos netos do compositor mangueirense Cartola. O filme tem criação e direção de Luiz Antonio Pilar.


Com direção musical de Paulão 7 Cordas, cenários de Gringo Cardia e direção de produção de Solange Nazareth, da Marrom Music, o show “25 anos do Museu do Samba” apresenta um repertório com antológicos sambas de terreiro, sambas de enredo e partido alto, que são as três matrizes do samba do Rio de Janeiro e estão registradas como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil no Intituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – titulação, aliás, resultante do trabalho de pesquisa conduzido pelo Museu do Samba.

A arrecadação do show será utilizada para estruturação das salas do “Programa Escola do Samba”, que o Museu do Samba inaugura em 2027, oferendo formação em saberes tradicionais do samba e do carnaval (música, dança e canto), artes visuais e gestão de escolas de samba.  O ingresso custa R$ 60 (inteira) e já pode ser adquirido pelo site theatromunicipal.rj.gov.br .

 

Repertório de sucessos do partido-alto, samba-enredo e samba de terreiro

O elenco do show “25 anos do Museu do Samba” reúne nomes de diferentes gerações de artistas conhecidos por levarem o samba ao topo da MPB, além de apoiarem iniciativas de valorização do gênero. É o caso de Alcione, que além de ícone da MPB e ilustre componente da Verde e Rosa, é fundadora da Escola de Samba Mirim Mangueira do Amanhã e uma das maiores incentivadoras do Museu do Samba. A força feminina marca presença ainda com a portelense Teresa Cristina. A mangueirense Karinah e o swing de Sandra de Sá.


Com suas quatro décadas de carreira musical e quase trinta de carreira solo, Dudu Nobre representa a essência do partido-alto cultivado nos quintais do subúrbio carioca, com suas composições de sucesso em parceria com Zeca Pagodingo e Beto Sem Braço, além de suas participações e vitórias em disputas de sambas-enredos em diversas agremiações. Diogo Nogueira e Arlindinho, por sua vez, representam tanto a renovação quanto a preservação do legado ancestral do samba do Rio de Janeiro, ao levarem adiante a obra de seus pais e perpetuarem as raízes do gênero entre as novas gerações. Completando a ala masculina do elenco, o espetáculo contará ainda com todo o carisma de Mumuzinho.

Formado por Selma Candeia, Vera de Jesus e Nilcemar Nogueira – respectivamente, filha de Candeia e netas de Clementina e Cartola -, o trio Matriarcas do Samba leva ao Theatro Municipal releituras de seus antepassados, com um repertório afetivo e repleto de composições antológicas. A Velha Guarda da Portela completa o naipe de atrações musicais que prometem transformar o elegante palco da Cinelândia em um grande quintal e uma apoteótica passarela do samba do Rio de Janeiro.


“Fazer esse show no Theatro Municipal é uma espécie de metáfora da força do Brasil, é como levar o morro para o palco mais elegante do país, mostrando e valorizando a nobreza cultural de artistas negros, gente simples de comunidades pobres, heróis quase improváveis que criaram o mais popular e identitário gênero musical do Brasil; a luta do Museu do Samba tem sido essa, a de exaltar a memória, as vozes e as obras de homens e mulheres que criaram e mantêm viva a cultura do samba e do carnaval, e que são o verdadeiro patrimônio cultural e social dessas manifestações tão brasileiras”, afirma Nilcemar Nogueira, neta de Cartola e Dona Zica e fundadora do Museu do Samba.

 

 

SERVIÇO

Show “25 Anos do Museu do Samba”

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Praça Floriano s/nº - Cinelândia

Data: 05/08/2026 (quarta-feira)

Horário: 20h

Ingresso: R$ 60,00 (inteira); R$ 30 (meia)

 

Documentário refaz trajetória do Museu do Samba

Cartola foi a luz que abriu o caminho para o surgimento do Museu do Samba. Para abrigar e preservar relíquias pessoais e artísticas do compositor mangueirense, Nilcemar Nogueira e seu irmão criaram, em 2001, o Centro Cultural Cartola, na mesma rua em que viveram seus avós, Angenor de Oliveira e Dona Zica, próximo a um dos acessos do Morro da Mangueira. Com a efervescência cultural no local, que além de exposições abrigava rodas de samba e debates, o espaço passou a ser procurado por sambistas e seus familiares querendo doar acervos e propondo atividades que abordassem artistas e agremiações de outras geografias cariocas. Até que, em agosto de 2015, o Centro Cultural Cartola passou a se chamar Museu do Samba.


O documentário dirigido por Luiz Antônio Pilar percorre essa história, dos primórdios até a consolidação do Museu do Samba como único Centro de Documentação e Pesquisa do Samba no Brasil, com mais de 50 mil itens no acervo, entre livros, documentos, indumentária, quadros, esculturas e objetos pessoais de grandes sambistas. A instituição possuiu também um arquivo audiovisual com gravações originais de mais de 180 depoimentos de cantores, compositores, mestres de bateria, porta-bandeiras e mestres-salas, passistas, baianas e carnavalescos, nomes como Nelson Sargento, Walter Alfaiate, Monarco, Dona Ivone Lara, Alcione, Mestre Ciça, Selminha Sorriso, Neguinho da Beija-Flor, Rosa Magalhães, Maria Augusta, entre outros. 


O filme revisita ainda o trabalho, realizado pelo Museu do Samba em 2007, que resultou na conquista do título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil para o samba do Rio de Janeiro. Dez anos depois, em janeiro de 2017, o Iphan reconheceu o museu como centro de referência do samba de terreiro, partido-alto e samba-enredo, por seu trabalho de preservação das matrizes do samba.

 
 
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